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Novo estudo europeu gera polêmica

Uma nova fase de polêmica envolvendo o biodiesel teve início nesse mês de abril na Europa. Consequentemente, correu o mundo inteiro via internet, agências de notícias e sites especializados.

Quem levantou a questão  foi a agência de notícias Reuters, que teve acesso a informações de que um estudo estaria apontando os biocombustíveis como grandes emissores de gases de efeito estufa. Assim, fazendo uso da convenção de direito à informação da União Européia, teve acesso ao estudo e o colocou em sua grade de conteúdo, causando grande repercussão em todos os setores ligados às energias renováveis e também à indústria do petróleo mundial.

O relatório original intitula-se “Quantificação dos efeitos das emissões dos gases de efeito estufa das diretrizes européias” e foi preparado pela consultoria AEA Group, em parceria com a Ecofys, o Instituto Fraunhofer, da Alemanha, e com a Universidade de Athenas. Quando da sua divulgação, em dezembro de 2009, o Instituto Fraunhofer chegou a negar algumas de suas conclusões.

“O ponto principal é que precisamos trabalhar mais, desenvolver novos critérios de sustentabilidade e precisamos ter muito cuidado com a origem do biocombustível”, disse Wolfgang Eichhammer, do Instituto Frauhofer, à Reuters. “E também precisamos encontrar uma forma de excluir os biocombustíveis ineficientes.”

 

Conteúdo do documento

 

Uma das afirmações do documento é que o biodiesel produzido da soja na América do Norte tem uma pegada de carbono indireta de 339,9 quilos de CO2 liberado, para cerca de 280 quilowatts/hora produzido - quatro vezes mais do que o diesel convencional.

Ainda de acordo com o texto, o biodiesel europeu feito de um tipo específico de couve tem uma pegada de carbono indireta de 150,3 quilos de CO2 por 280 quilowatts/hora produzidos, enquanto o cálculo do bioetanol europeu feito de beterraba é de 100,3 quilos - ambos ainda bem mais altos do que o gasto do diesel convencional ou da gasolina, que soma 85 quilos de CO2.

Em contraste, a importação de bioetanol de cana-de-açúcar vindo da América Latina, inclusive do Brasil, e de biodiesel de óleo de palma do Sudeste Asiático parece relativamente mais ‘limpa’, com 82,3 quilos e 73,6 quilos respectivamente.

O bloco europeu estabeleceu uma meta de obter 10% do seu combustível para veículos de fontes renováveis, principalmente biocombustíveis, até o final desta década. Mas agora a Europa começa a se preocupar com os impactos ambientais inesperados.

A agência de notícias Reuters sustenta que há ainda quatro outros grandes estudos em andamento a respeito das emissões de gases estufa.

No fundo, o maior temor da Comissão Européia é que a produção de biocombustíveis absorva grãos e outros produtos dos mercados globais de commodity, forçando uma alta no preço dos alimentos. A consequência seria um incentivo para que agricultores avancem sobre áreas de florestas tropicais em busca de novas áreas para plantio.

“Pela terceira vez em seis semanas a Comissão Européia teve de divulgar às forças estudos sobre os efeitos dos biocombustíveis para o clima”, disse Nusa Urbancic, do grupo T&E para o transporte sustentável, ao jornal “O Estado de São Paulo. “E, pela terceira vez, esses estudos mostram que as mudanças no uso da terra são o fator mais importante na hora de decidir se faz sentido produzir biocombustíveis ou não.”

 

European Biodiesel Board

 

Por sua vez, a entidade representativa do biodiesel no velho continente, o European Biodiesel Board-EBB ainda não se pronunciou sobre a polêmica. No entanto, vem criticando sistematicamente as metodologias de pesquisa de diversos institutos e universidades.

 “As comparações entre os efeitos dos biocombutíveis e os combustíveis fósseis não estão equilibradas cientificamente”, diz a EBB em um de seus relatórios. E continua: “As fontes mais poluidoras de combustíveis minerais podem estar sendo artificialmente incentivadas, enquanto a energia limpa que vem do campo pode estar sendo penalizada e limitada em suas possibilidades”.

Produtores de biodiesel europeus também dão sua opinião. Eles argumentam, em nota divulgada pela EBB, que os valores de referência para as emissões de diesel e petróleo na Europa estão muito baixas. Isso porque eles não levam em conta a emissão causada pelas formas não convencionais de obtenção do combustível. O petróleo extra-pesado, por exemplo, tem um incremento de emissões de cerca de 150%, segundo estudos de cientistas da EBB.

 

Posição brasileira

 

A nova polêmica está lançada. Os setores brasileiros envolvidos com o biodiesel, assim com as próprias usinas, ainda não quiseram publicar suas posições devido à complexidade do assunto. Assim também o fez o Governo Federal, que prefere aguardar novos lances do assunto para tomar uma posição.

Centenas de estudos sugerem o uso de biocombustíveis, citando suas virtudes principalmente em relação às emissões. A questão principal é equalizar o papel do uso indireto de terras nas culturas de soja, nos EUA e Brasil, e na de dendê, na Malásia, para avaliar corretamente se os biocombustíveis são viáveis ou não. Aguardem as cenas dos próximos capítulos.

 


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