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Pinhão-manso pronto para a ração animal

Depois de ser considerada uma das mais promissoras matérias-primas para a indústria do biodiesel, o pinhão-manso entra agora numa fase em que suas aplicações abrangem novas áreas e seu valor como espécie aumenta. A novidade agora é o domínio do processo de destoxificação de seu farelo, apresentado pela empresa piracicabana Labore Engenharia, integrante do Consórcio Tecnológico Labore - Rio Pardo Bioenergia -TechEnergy, que desenvolve tecnologias voltadas para toda a cadeia produtiva do pinhão-manso.

Objetivo perseguido por grandes instituições de pesquisa, empresas multinacionais, governos e renomadas universidades, todas em nível internacional, a destoxificação do pinhão-manso feita no Brasil tem escala industrial e é parte de um estudo iniciado há cinco anos pelos pesquisadores e empresas envolvidas.

Em trabalho de doutoramento realizado no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da Universidade de São Paulo (USP), foi utilizado, com pleno sucesso, o farelo destoxificado na dieta em ratos. Esse trabalho foi encaminhado para o  Annual Conference of British Society of Animal Science, na Irlanda, a ser realizado ainda em 2010.

 Segundo o pesquisador responsável pela TechEnergy,  Antonio Roberto de Godoi, o processo neutraliza a curcina e o inibidor de tripicina, que são fatores antinutricionais (não permitem ganho de peso) e retira os quatro ésteres de forbol, que dão toxidez e limitam a alimentação animal.

Ele contou que, inicialmente, os testes foram feitos dentro da Labore, por métodos empíricos e análises de ésteres de forbol de forma qualitativa, por meio de formulações de rações para aves e carpas, durante dois anos. O pesquisador relata não ter havido óbitos, mas sim, ganho de peso.

Godoi disse que, a partir desses resultados, o consórcio partiu para a análise quantitativa da concentração dos ésteres de forbol no farelo do pinhão-manso destoxificado pelo método Labore. “Comprovamos a retirada dos ésteres de forbol do farelo”, acrescentou.

A comprovação científica deu-se posteriormente, a partir do trabalho feito in vivo, com ratos, também sem óbitos e com ganho de peso. “Não houve nenhum sinal de toxidez nas vísceras das cobaias”, falou o pesquisador.

Posteriormente, serão realizados experimentos para determinação do nível de toxicidade do farelo, desempenho animal, análises citológicas e histopatológicas com fins de certificação ANVISA, a serem realizados no Centro de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agronômicas (CPQBA) da UNICAMP.

Atualmente, o principal farelo utilizado na alimentação animal é o farelo de soja, que apresenta teores de proteína de 46% e 48%. O farelo de pinhão-manso destoxificado pelo Método Labore apresenta teores de proteína em torno de 60%, dependendo da variedade processada

Por outro lado, a consolidação da tecnologia coloca o Brasil no topo do ranking em pesquisas com pinhão-manso e poderá trazer divisas ao país em forma de royalties.

O pinhão-manso, internacionalmente conhecido pelo nome Jatropha (advindo de Jatropha curcas L. – seu nome científico), é considerado atualmente a principal planta oleaginosa para a extração de óleo vegetal voltada para a produção de biodiesel. Isso se deve às  suas características de planta perene, ser cultivável em solos degradados e tratar-se de cultura não voltada a produção de alimentos. A sua torta, altamente protéica e  subproduto da extração de seu óleo, vem sendo utilizada como fertilizante, já que possui toxicidade causada pelo éster de forbol 12-Meristato 13-Acetato e derivados de seu núcleo, o que  tem inviabilizado seu uso em alimentação animal através de formulações em rações.

O Método Labore promove o descascamento dos grãos e a extração do óleo com eficiência de 98,5%, produzindo óleo semi-refinado adequado para queima em motores diesel (veiculares e/ou estacionários) e farelo destoxificado, uma vez que retira os ésteres de forbol contidos na torta ao mesmo tempo em que inativa a lectina (a lectina do pinhão-manso se chama curcina e é causadora de diversos efeitos danosos nos animais), e também os inibidores de tripcina (fatores antinutricionais).

Formado há três anos, o Consórcio Tecnológico Rio Pardo Bioenergia – Labore Engenharia – TechEnergy lidera as pesquisas em pinhão-manso em nível mundial: a Labore no campo científico e industrial em extração de óleo e destoxificação do farelo; a Rio Pardo Bioenergia  na área agronômica e, a também piracicabana TechEnergy, na área de energia quanto ao aproveitamento da biomassa, da  fitomassa  e do óleo do pinhão-manso. A Rio Pardo Bioenergia e o consórcio têm sede em Campinas.

 


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